Mundo
China aponta "narrativas falsas". Japão parte para a maior expansão militar desde a Segunda Guerra
No seu livro branco anual, o Governo japonês elege “as atividades militares e outras ações da China” como “motivo de séria preocupação”. Pequim não tardou a responder: “Estamos fortemente insatisfeitos”.
O Governo do Japão acabada de divulgar o seu livro branco sobre a estratégia de defesa militar para o país, abrindo caminho ao maior investimento no sector desde a Segunda Guerra Mundial. Uma opção política que, na ótica de Tóquio, “beneficia a economia como um todo e a vida das pessoas”. O documento gerou já esta terça-feira os primeiros anticorpos na China.
Dissuadir uma invasão chinesa de Taiwan, cenário que praticamente condenaria o Japão a uma guerra duradoura – é este, na prática, o maior objetivo regional dos novos pressupostos da política de defesa do Governo nipónico.
No seu último livro branco, o Ministério japonês da Defesa trata de dar ênfase ao que considera ser a “séria preocupação”, não só para o Japão mas “para a comunidade internacional”, das “atividades militares e outras ações da China”.A China constitui mesmo, nos termos do documento conhecido esta terça-feira, o “maior desafio estratégico do Japão”.
A réplica de Pequim chegou, entretanto, na forma de um comunicado do porta-voz do Ministério da Defesa da China, Chen Xi, segundo o qual o livro branco japonês está “repleto de narrativas falsas”.
“Estamos fortemente insatisfeitos e opomo-nos firmemente a tal postura”, reforçou.
Chen Xi instou ainda Tóquio a refletir sobre o seu próprio legado histórico de agressões e a abster-se de enveredar pelo “caminho equivocado da remilitarização”.O livro branco avalia anualmente o peso de vizinhos como a China, a Coreia do Norte e a Rússia na estratégia de defesa do país do Sol nascente.
As relações sino-japonesas degradaram-se substancialmente a partir de novembro do ano passado, quando a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, admitiu a possibilidade de o seu país mobilizar as Forças de Autodefesa em caso de ataque chinês a Taiwan. Posição que Pequim se apressou a classificar, a um só tempo, como “absurda” e “grave”.

Tóquio optou pelo anime para a capa do livro branco do Ministério da Defesa | Tim Kelly - Reuters
Outra das notas dominantes do Ministério da Defesa do Japão é agora a da capitalização da tecnologia, por via do financiamento de startups. Uma linha de atuação que se enquadra na política de investimento público prosseguida por Takaichi, tendo em vista impulsionar o crescimento económico.Aquela que é já descrita como a maior expansão de capacidades militares do Japão desde a II Guerra Mundial implicará, entre outras reformas, aumentos da carga fiscal. A meta é alcançar um nível de despesa militar na ordem dos dois por cento do Produto Interno Bruto.
Boa parte do investimento bélico japonês tem visado a aquisição de mísseis capazes de atingir alvos a distâncias superiores a mil quilómetros. No futuro próximo, deverá incidir em drones e outros aparelhos não tripulados.
No prefácio do livro branco, o ministro japonês da Defesa, Shinjiro Koizumi, considera “imperativo que o Japão reforce e transforme ainda mais as capacidades com um sentimento de urgência e crise mais forte do que nunca”.
c/ AFP e Reuters
Dissuadir uma invasão chinesa de Taiwan, cenário que praticamente condenaria o Japão a uma guerra duradoura – é este, na prática, o maior objetivo regional dos novos pressupostos da política de defesa do Governo nipónico.
No seu último livro branco, o Ministério japonês da Defesa trata de dar ênfase ao que considera ser a “séria preocupação”, não só para o Japão mas “para a comunidade internacional”, das “atividades militares e outras ações da China”.A China constitui mesmo, nos termos do documento conhecido esta terça-feira, o “maior desafio estratégico do Japão”.
A réplica de Pequim chegou, entretanto, na forma de um comunicado do porta-voz do Ministério da Defesa da China, Chen Xi, segundo o qual o livro branco japonês está “repleto de narrativas falsas”.
“Estamos fortemente insatisfeitos e opomo-nos firmemente a tal postura”, reforçou.
Chen Xi instou ainda Tóquio a refletir sobre o seu próprio legado histórico de agressões e a abster-se de enveredar pelo “caminho equivocado da remilitarização”.O livro branco avalia anualmente o peso de vizinhos como a China, a Coreia do Norte e a Rússia na estratégia de defesa do país do Sol nascente.
As relações sino-japonesas degradaram-se substancialmente a partir de novembro do ano passado, quando a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, admitiu a possibilidade de o seu país mobilizar as Forças de Autodefesa em caso de ataque chinês a Taiwan. Posição que Pequim se apressou a classificar, a um só tempo, como “absurda” e “grave”.
Tóquio optou pelo anime para a capa do livro branco do Ministério da Defesa | Tim Kelly - Reuters
Outra das notas dominantes do Ministério da Defesa do Japão é agora a da capitalização da tecnologia, por via do financiamento de startups. Uma linha de atuação que se enquadra na política de investimento público prosseguida por Takaichi, tendo em vista impulsionar o crescimento económico.Aquela que é já descrita como a maior expansão de capacidades militares do Japão desde a II Guerra Mundial implicará, entre outras reformas, aumentos da carga fiscal. A meta é alcançar um nível de despesa militar na ordem dos dois por cento do Produto Interno Bruto.
Boa parte do investimento bélico japonês tem visado a aquisição de mísseis capazes de atingir alvos a distâncias superiores a mil quilómetros. No futuro próximo, deverá incidir em drones e outros aparelhos não tripulados.
No prefácio do livro branco, o ministro japonês da Defesa, Shinjiro Koizumi, considera “imperativo que o Japão reforce e transforme ainda mais as capacidades com um sentimento de urgência e crise mais forte do que nunca”.
c/ AFP e Reuters